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SENADO EM 2026

  • 13 de mai.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 14 de mai.


Dois lugares, uma guerra de três frentes


Se no governo do estado a disputa já está reduzida a dois nomes — Hana Ghassan (MDB) e Dr. Daniel (Podemos) —, no Senado a briga promete ser ainda mais complexa. Pela lei eleitoral brasileira, o Pará elegerá dois senadores em 2026. O eleitor, portanto, terá de votar em dois nomes. E é aí que o tabuleiro se expande, sem perder a lógica de fundo: a polarização entre a oligarquia Barbalho (representando a esquerda e a situação) e a direita bolsonarista, agora fragmentada em pelo menos duas candidaturas competitivas.

Mas há uma terceira força em campo — e ela promete embaralhar ainda mais o jogo: o ex-ministro do governo Lula, Celso Sabino, recém-filiado ao PDT, que luta por um lugar na chapa da situação.


Helder Barbalho: o favorito à primeira vaga

O ex-governador Helder Barbalho (MDB) é, até agora, o nome mais forte da corrida. Primeiro lugar em todas as pesquisas de opinião, ele carrega o peso da máquina estadual, o prestígio da família que comanda o Pará há muitos anos e a aliança com o PT de Lula. Helder não esconde seu objetivo: quer a primeira vaga ao Senado para dar continuidade ao seu projeto de poder a partir de outra cadeira, garantindo a permanência do clã Barbalho no poder e, ao mesmo tempo, assegurando a continuidade desse projeto com a eventual eleição de sua vice, Hana Ghassan. 



A direita dividida: Delegado Éder Mauro (PL) x Zequinha Marinho (Podemos)

Enquanto Helder Barbalho unifica a esquerda e o situacionismo, a direita paraense se fragmentou. Dois nomes de peso  disputam o mesmo eleitor conservador e antipetista.

Delegado Éder Mauro (PL) é o candidato genuíno da direita bolsonarista. Deputado federal com discurso de segurança pública e pautas de costumes, ele conta com o apoio informal do ex-presidente Jair Bolsonaro e da militância mais radical. Para o eleitor que busca um nome “linha-dura” e alinhado ao bolsonarismo, Éder Mauro é a escolha natural.

Zequinha Marinho (Podemos), atual senador, busca a reeleição. Com trânsito forte entre as igrejas evangélicas e um perfil conservador - porém menos beligerante que Éder Mauro - Zequinha representa a ala da direita mais institucional e pragmática. Para um eleitor com tendência moderada, Zequinha é um provável caminho.


O fator Celso Sabino: ex - União Brasil, agora no PDT

A grande novidade da corrida ao Senado é a entrada do ex-ministro Celso Sabino, - que  ficou meses sem partido até se filiar ao PDT — legenda que, no Pará, está coligada com Helder Barbalho. Teoricamente, Sabino seria um aliado natural do clã Barbalho. Mas a realidade é outra: Helder já lançou seu candidato oficial para compor sua chapa ao Senado.

Esse candidato em questão é Chicão, presidente da Assembleia Legislativa do Pará. Com apoio declarado da máquina estadual e da bancada de deputados estaduais, Chicão é o nome ungido por Helder para compor sua chapa. Ele não é apenas mais um candidato: tem estrutura, capilaridade e o peso do Palácio.

Sabino, no entanto, não aceitou o papel de coadjuvante. Ex-ministro de Lula, com trânsito nacional e experiência de gestão, ele acredita que pode superar Chicão na preferência do eleitor e atrair alguns votos de Helder.  O problema é que, sem a máquina e sem o apoio declarado do governador, Sabino navega contra a corrente.

Na prática, a disputa dentro da situação é: Helder + Chicão (oficial) versus Helder + Sabino (preferência de Sabino). O eleitor situacionista terá de escolher dois nomes. Poderá votar em Helder e Chicão, Helder e Sabino, ou até mesmo apenas em Helder e escolher outro nome para a segunda vaga. Essa dinâmica torna o Senado muito mais imprevisível do que o governo.


 “O eleitor situacionista terá de escolher dois nomes. Poderá votar em Helder e Chicão, Helder e Sabino, ou até mesmo apenas em Helder e escolher outro nome para a segunda vaga. Essa dinâmica torna o Senado muito mais imprevisível do que o governo.”


O cenário eleitoral: três blocos, duas vagas

Podemos resumir a corrida ao Senado no Pará em três blocos:

Bloco da situação (Barbalho): Helder Barbalho (MDB) como franco favorito à primeira vaga. Chicão (UNIÃO) como candidato oficial da máquina para a segunda vaga. 
Bloco da direita (fragmentado): Delegado Éder Mauro (PL) representando a ala mais radical da direita  e Zequinha Marinho (Podemos) representando a ala mais moderada.

Bloco de centro (independente):  alternativa à polarização entre os dois blocos anteriores — situação e direita —, caso Celso Sabino (PDT) consiga se posicionar como uma possível opção.


O dilema do eleitor: voto útil ou convicção? 

Diferentemente da eleição para o governo — onde o voto útil tende a se concentrar em Hana ou Daniel —, no Senado o eleitor tem duas escolhas na urna. Isso permite combinações: um eleitor de direita pode votar em Éder Mauro e Zequinha Marinho, dividindo preferências. Um eleitor situacionista pode votar em Helder e Chicão, ou Helder e Sabino.


O grande risco para a direita é a fragmentação do voto conservador. Parte pode optar por dividir entre Éder e Zequinha, enfraquecendo ambos. Ou, em um cenário mais pragmático, parte do eleitor pode migrar para Helder por conveniência eleitoral, fortalecendo ainda mais o ex-governador. Para a situação, o risco é Celso Sabino dividir votos com Chicão e abrir espaço para a oposição disputar a segunda vaga.


Helder é certeza, a segunda vaga é incógnita

A corrida ao Senado no Pará tem uma única certeza: Helder Barbalho será um dos dois eleitos. A segunda vaga, no entanto, está em aberto. Ela pode ficar com Chicão (pela força da máquina), com Sabino (se conseguir se viabilizar como alternativa de centro-esquerda), com Éder Mauro (se unificar a direita) ou com Zequinha Marinho (se consolidar o voto evangélico e institucional).


O que parece improvável, neste momento, é que a direita eleja dois senadores. A fragmentação é grande demais. Assim, a disputa real se concentra entre o segundo nome da situação e o mais forte dos dois candidatos de direita.

O eleitor paraense, mais uma vez, terá de fazer escolhas difíceis — e conviver com a sensação de que, mesmo com duas vagas, as alternativas reais continuam sendo poucas.



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