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GOVERNO DO ESTADO - O JOGO COMEÇOU

  • 11 de mai.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 14 de mai.

MAS CADÊ OS JOGADORES?

Em 2026, o eleitor paraense enfrenta um tabuleiro limitado e imprevisível. 


O ano de 2026 já está em curso — e, com ele, a corrida pelo governo do Pará, que promete ser uma das mais concentradas e polarizadas da história recente. Diferentemente de outros ciclos eleitorais, quando múltiplos nomes e legendas disputavam o eleitor, agora o tabuleiro está reduzido a poucos protagonistas. O motivo? A polarização nacional entre esquerda e direita, personificada nas figuras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), desceu com força total para a política local. E, no Pará, essa lógica se impõe de forma crua: sobra pouco espaço para vozes independentes ou alternativas fora desse eixo.



O reflexo nacional no Pará

Em nível nacional, o eleitor já consolidou duas referências principais: PT (Lula) e PL (Bolsonaro). A esquerda e a direita se definem, hoje, essencialmente por essas duas siglas. No Pará, no entanto, a reprodução desse embate se dá por um caminho indireto — mas não menos intenso. Nenhum dos dois grandes partidos nacionais lançou candidato próprio ao governo estadual. O PT abriu mão de lançar candidato e coligou-se com o MDB, viabilizando o nome de Hana Ghassan como representante da esquerda no estado. Já o PL, pela mesma lógica de aliança, optou por compor com o Podemos e indicar o vice na chapa do ex-prefeito de Ananindeua, Dr. Daniel. Assim, quem vota no Pará em 2026 terá, na prática, apenas duas alternativas reais: Hana Ghassan (MDB), que carrega a bandeira da situação e da esquerda, e Dr. Daniel (Podemos), que encarna a direita e a oposição ao grupo Barbalho.


 Quem vota no Pará em 2026 terá, na prática, apenas duas alternativas reais: Hana Ghassan (MDB), que carrega a bandeira da situação e da esquerda, e Dr. Daniel (Podemos), que encarna a direita e a oposição ao grupo Barbalho.


Esquerda com rosto novo, direita com vice do PL

Hana Ghassan, embora filiada ao MDB — partido historicamente de centro —, é a candidata ungida pelo Palácio do Governo e abraçada pelo PT. Não por acaso, o PT não lançou nome próprio: a aliança local reproduz o pacto nacional entre Lula e o MDB. Para o eleitor de esquerda, Hana é a continuidade da gestão Barbalho, com o selo de aprovação lulista.

Do outro lado, Dr. Daniel, ex-prefeito de Ananindeua, hoje no Podemos, é quem representa a direita — ainda que seu partido não seja originalmente de direita. O fato decisivo é a coligação com o PL, que entra na chapa com o vice. Na prática, votar em Daniel é votar na oposição a Barbalho e nacionalmente, se alinhar a Bolsonaro. Apesar de seu perfil de gestor municipal e de discurso menos ideológico, Daniel se tornou o principal nome do anti-barbalhismo — movimento que, no Pará, agrega majoritariamente à direita.



O fator Mário Couto e o PSOL: meros coadjuvantes?

A terceira via, representada pelo senador Mário Couto (atualmente sem definição partidária consolidada, mas com trânsito na direita moderada), aparece com 10% das intenções de voto, segundo a mais recente pesquisa Doxa. Um percentual não desprezível, mas insuficiente para romper a lógica bipolar. Mário Couto, no entanto, tem um papel crucial: se crescer o suficiente para forçar um segundo turno, será um fator de desempate. Caso contrário, fica como coadjuvante.

Já o PSOL, com cerca de 4%, representa a crítica à esquerda à aliança do PT com o MDB. É um voto de protesto ideológico, sem potencial de vitória, mas capaz de tirar votos de Hana Ghassan em um eventual segundo turno.



A decisão nos detalhes: primeiro ou segundo turno?

A pesquisa Doxa mostra um cenário de empate técnico: Dr. Daniel com 28%, Hana Ghassan com 25%. Diferença de três pontos percentuais — dentro da margem de erro. O que definirá  a eleição, portanto, será o comportamento de Mário Couto. Se ele não decolar e permanecer com menos de 10%, há forte possibilidade de a eleição ser decidida já no primeiro turno, com Daniel ou Hana alcançando mais de 50% dos votos válidos. Se Mário Couto crescer e ultrapassar os 15%, o segundo turno se torna inevitável.

E,  na ocorrência de um  eventual segundo turno entre Hana e Daniel, a polarização se tornará ainda mais explícita: de um lado, a situação Barbalho-PT-MDB; de outro, a oposição Daniel-PL-Podemos. O voto do eleitor de Mário Couto e do PSOL será o fiel da balança.



O paradoxo do anti-barbalhismo de esquerda

Um dado curioso e pouco comentado: o anti-barbalhismo não é monopólio da direita. Cerca de 18% dos eleitores que se identificam com a esquerda também rejeitam a “oligarquia Barbalho”. Para esses, a aliança do PT com o MDB soa como “traição”. E muitos deles, mesmo discordando de Daniel em pautas culturais e sociais, podem votar nele como única forma de derrotar o grupo situacionista. Esse contingente, embora minoritário, pode ser decisivo em uma eleição de margens tão estreitas.


 A polarização nacional, que opõe Lula e Bolsonaro, migrou para o Pará e agora se manifesta através desses dois nomes.
Jogo Xadrez

Eleição de dois nomes, mas de um país polarizado

O eleitor paraense entrará em 2026 com uma sensação amarga: poucas alternativas de escolha. As terceiras vias existem, mas não têm força estrutural. A decisão se dará entre Hana Ghassan (a esquerda possível, pelo MDB) e Dr. Daniel (a direita possível, pelo Podemos/PL). A polarização nacional, que opõe Lula e Bolsonaro, migrou para o Pará e agora se manifesta através desses dois nomes.

O jogo será decidido nos detalhes: no desempenho de Mário Couto, no voto útil, na rejeição a Barbalho e na capacidade de cada candidato de mobilizar suas bases. Mas uma coisa é certa: 2026 chegou, e o tabuleiro está mais vazio do que nunca.


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